O DEMÔNIO E A INTRIGA
Durante as longas peregrinações que empreendeu pelo mundo, o terrível e odiento Enam, o demônio dos olhos chamejantes, foi ter a uma pequena aldeia, muito além do Eufrates, chamada Nagazor. Recebido com acolhedora simpatia pelos habitantes, começou o infernal Enam a agir de acordo com os seus planos. O seu ideal era transformar a pacífica Nagazor num pequenino inferno onde dominasse a discórdia, a cizânia e a desarmonia. Mas todos os esforços do Maligno fracassaram entre as colinas de Nagazor. As artimanhas e maldades do tentador resultaram inúteis.
Pretendeu semear a discórdia entre os chefes de família e não conseguiu; arquitetou mil e uma desavenças entre as esposas e a todo o tipo de pessoa a quem invejava mas viu cair por terra todos os seus sórdidos artifícios. Insistiam os habitantes de Nagazor em viver em paz e não havia como mudar aquele sereno teor de vida.
Decepcionado com o malogro de seus torpíssimos embustes, retirou-se o Demônio. - Eis um recanto que não me interessa. Não vale a pena perder tempo com essa gente desfigurada e inerme. Vou em busca de outros climas.
A pequena distância da aldeia topou o demônio com um rio de praias límpidas e frescas. Sentou-se na areia clara e pôs-se a meditar. Poucos minutos depois surgiu uma mulher que vinha ao rio lavar as suas roupas. Era uma rapariga forte, de ombros largos, fisionomia simpática tostada pelo sol. Sob o pano azulado que lhe envolvia a cabeça repontavam pequenas manchas de cabelo castanho; os seus olhos eram negros e vivos.
Ao vê-la chegar Enam sorriu meio desconfiado. A mulher parou, deixou cair ao chão a pesada trouxa que trazia, e encravando resoluta as mãos na cintura encarou com arrogância o maligno viajante. Que pretendes aqui? - inquiriu com petulante desembaraço. - A tua fisionomia não me parece estranha. És Enam, o mal-intencionado Enam!
- Sim, minha boa amiga - volveu o Maligno com voz sucumbida. - Sou Enam, o terrível, mas o período áureo de minha vida já terminou; encontro-me em desastrosa e irremediável decadência; as almas fogem de mim e escapam de minhas mãos. Vejo-me agora despojado de meu tão temido e secular poder. Fui arrasado por essa gentinha impertinente de Nagazor.
E o Demônio relatou à lavadeira, com todas as minúcias, o seu fracasso na aldeia e a inutilidade dos seus embustes e artimanhas.
- Não passas de um simplório - garganteou a mulher, imprudente, sorrindo com desprezo. - Ainda não percebeste que os teus recursos satânicos se limitam a truques obsoletos e ridículos? As tuas armas, meu Duvido muito! - retorquiu o demônio, retorcendo a boca. - Bem vejo que não conheces aquela gente insípida de Nagazor. Mas escuta: se fizeres o que acabas de prometer receberás de mim uma bolsa com mil moedas de ouro.
- Combinado! - bradou a lavadeira, endireitando o busto. - Combinado! Vou já para Nagazor. Durante a minha ausência cuidarás destas roupas. Verás qual é a minha maneira de agir.
E, sem mais palavra, a mulher tomou o caminho da aldeia. E ao chegar a Nagazor bateu à porta de uma casa. Residia ali uma das melhores famílias. - A lavadeira, fingiu-se muito ingênua e bondosa, pediu para falar à dona da casa, a quem ofereceu os seus préstimos como ótima lavadeira, sendo logo contratada. Enquanto entrouxava a roupa suja, ergueu os olhos para o lindo rosto da senhora, e exclamou numa atitude de contemplação envaidecida:
- Que bandidos os homens! Todos iguais, malditos sejam! Não se pode confiar no melhor deles. Gostam de todas as mulheres, louras ou morenas, menos de suas próprias esposas!
- Que pretendes insinuar com isso? - inquiriu a dama, mordida pelo veneno da desconfiança, arregalando os olhos sobressaltados.
- Não sei mentir acudiu a lavadeira, sem hesitações na voz. - Não sei mentir e gosto de revelar sempre a verdade para aqueles que parecem dignos e bondosos. Vindo para cá, quem havia eu de encontrar, entre as sombras do parque, senão teu marido, namorando outra mulher? E, ainda por cúmulo da ingratidão, derretia-se por uma pequena feia, horrorosa; cara de bruxa! Como pode ele desprezar uma beleza como tu, por aquele estafermo, é o que não entendo! Mas não chores, querida patroa, não te aflijas. Não faças caso dessa ingratidão de teu marido. Sou entendida em artes e feitiçarias. Conheço um remédio infalível para fazer teu marido, bilontra e ingrato, retornar ao bom caminho. Aplica-lhe esse remédio e nada mais terás a recear dele. Asseguro-te que ele, depois da primeira dose, nunca mais terá olhos para outra mulher. Escuta bem o que deves fazer: quando o teu volúvel esposo chegar, fala-lhe com brandura; não o deixes desconfiar de coisa alguma. Logo depois que ele pegar no sono apanha a navalha e corta-lhe, com muito cuidadinho, três pêlos da barba, sendo dois pretos e um branco, ou três pretos. É preciso agir com cautela a fim de que ele não perceba nada. Depois dá-me esses pêlos; com eles, prepararei um remédio seguro, que teu marido será, para o resto da vida, de uma fidelidade a toda prova. Odiará todas as outras mulheres e será teu, só teu, com um amor profundo, inalterável e eterno.
Apanhando a trouxa, a lavadeira saiu à procura do marido da dama e, com a voz e os modos duma criatura consternada, disse-lhe que vinha revelar um segredo horrível; não sabia se teria forças para tanto, preferiria até morrer. O marido naturalmente quis saber do que se tratava, exigiu que ela falasse a verdade e fez sentir que não admitia desculpas ou evasivas.
- Pois bem - começou a lavadeira, tomando-o à parte, e olhando em roda cautelosamente. – Acabo de sair da tua casa onde minha ama, tua esposa, me deu estas roupas para lavar; enquanto eu estava lá chegou um belo moço, de olhos claros, muito bem trajado, e os dois se retiraram para aquele pequenino quarto que fica ao lado da sala. Pus-me a escutar e ouvi o moço dizer à tua senhora: "Mata o teu marido, querida, e eu casarei contigo". Ela respondeu que não se animava a fazer coisa tão horrível. "Ora - tornou ele com um pouco de coragem, - é muito fácil. Quando teu marido adormecer, corta-lhe o pescoço com uma navalha bem afiada. Aceitarão todos a morte dele como um acidente ou como um suicídio e nada mais. Quem ousaria desconfiar de ti?". A tua esposa relutou um pouco mas acabou por aceitar a idéia e prometeu ao jovem de olhos claros que esta mesma noite executaria o plano.
Fervendo de raiva, mas perfeitamente calmo na aparência, o marido voltou à casa, sendo cordialmente recebido pela zelosa companheira. À noite, já um pouco tarde, foi para o leito e fingiu adormecer. Pôs-se, entretanto, a vigiar os menores movimentos da esposa.
Ao vê-la, afinal, abrir a gaveta e apanhar a navalha para cortar os três pêlos necessários ao feitiço da lavadeira, levantou-se num salto, arquejante de cólera, avançou como um louco para a mulher, arrancou-lhe a navalha das mãos e, numa alucinação desesperada golpeou-a várias vezes, prostrando-a sem vida, numa poça de sangue.
A notícia do crime espalhou-se: os parentes da morta, na certeza de sua inocência, uniram-se para vingá-la e mataram o perverso e sanguinário marido. Os irmãos do assassinado resolveram tomar desforra.
Incendiaram a casa dos assassinos e mataram meia dúzia deles. Lavrou o ódio em Nagazor. E antes de terminar a luta muitas vidas foram sacrificadas e muitos lares arrasados.
Enam, o demônio dos olhos chamejantes, fiel à palavra dada, pagou a aposta. E, desse dia em diante, passou a usar da intriga como sua arma predileta.
Bem dizia o sábio:
- O que o Demônio, com mil perversidades e embustes, não consegue em vinte dias, a intriga realiza, com a maior segurança, em meia-hora.
Conto do escritor Malba Tahan .
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A ÁGUIA E A PORCA.
Uma águia construiu um ninho numa árvore e chocou algumas aguiazinhas. E uma porca selvagem trouxe a sua cria para baixo da árvore. A águia costumava sair voando em busca das suas presas, e as trazia para os seus filhotes. E a porca escavava em torno da árvore e caçava nos bosques; ao anoitecer ele trazia alguma coisa para os seus filhotes comerem. E a águia e a porca viviam como boas vizinhas. Mas uma gata velha, planejando destruir as aguiazinhas e os porquinhos, procurou a águia e disse: “Águia, é melhor não voar muito longe. Cuidado com a porca; ele está planejando uma maldade. Ela vai corroer as raízes da árvore. Veja como ela escava o tempo todo.”
Aí a gata velha foi falar com a porca: “ Porca, você não tem uma boa vizinha. Ontem de noite ouvi a águia dizer para suas aguiazinhas, “Vou lhes trazer um porquinho. Assim que a porca sair, vou lhes trazer um filhote de porco”.
A partir de então a águia deixou de voar em busca de suas presas, e a porca não saiu mais para os bosques. As aguiazinhas morreram de fome e a gata se refestelou com elas.
LEON TOLSTOI, 1828 – 1910.
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O PODER DE UMA MENTIRA
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Na cidade de Tarnopol vivia um homem chamado Reb Feivel. Um dia, quando ele estava em casa totalmente absorto no seu Talmude, ouviu um barulho forte lá fora. Chegando à janela, viu um bando de pequenos rufiões. “Estão a fim de alguma travessura, sem dúvida”, ele pensou.
“Crianças, rápido para a sinagoga”, gritou, debruçando-se na janela e improvisando a primeira história que lhe veio à cabeça. “Vocês verão lá um monstro! É uma criatura com cinco pés, três olhos e uma barba de bode, só que verde!”
E as crianças, lógico, se escafederam e Reb Feivel voltou aos seus estudos. Ele sorriu intimamente ao pensar na peça que tinha pregado àqueles pestinhas. Mas não demorou muito e seus estudos foram interrompido de novo, desta vez pelo som de passos apressados.
Aproximando-se da janela ele viu vários judeus correndo. “Para onde vão correndo?”, gritou. “Para a sinagoga!”, responderam os judeus. “Não está sabendo? Tem um monstro marinho, uma criatura com cinco pernas, três olhos e uma barba de bode, só que é verde!”.
Reb Feivel riu satisfeito, pensando na peça que tinha pregado e sentou-se de novo com seu Talmude. Mal tinha começado a se concentrar quando ouviu uma barulhada lá fora. E o que ele viu? Uma multidão de homens, mulheres e crianças, todos correndo em direção à sinagoga. “O que está acontecendo?”, gritou, espichando a cabeça para fora da janela. “Que pergunta! Então não sabe?”, responderam.
“Bem em frente da sinagoga tem um monstro marinho. É uma criatura com cinco pernas, três olhos e uma barba de bode, só que verde!” E quando a multidão passou correndo, Reb Feivel percebeu de repente que o próprio rabino estava ali no meio.
“Senhor do mundo!”, exclamou ele. “Se o próprio rabino está correndo junto com eles, deve certamente estar acontecendo alguma coisa. Onde há fumaça, há fogo!” Sem mais pensar, Reb Feivel passou a mão no chapéu, saiu de casa e começou a correr também. "Quem sabe?”, ele murmurava para si mesmo enquanto corria, já sem fôlego, em direção à sinagoga.
A TREASURY OF JEWISH FOLKLORE
NATHAN AUSUBEL, 1948
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Os homens são tão simplórios e tão dominados por suas necessidades imediatas que um mentiroso sempre encontrará muitos prontos para serem enganados.
NICOLAU MAQUIAVEL, 1469 – 1527
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O charlatão adquire o seu grande poder abrindo simplesmente uma possibilidade para os homens acreditarem naquilo em que já acreditam.... Os crédulos não conseguem se manter distantes, eles se aglomeram em torno do milagreiro, entram na sua aura pessoal, entregam-se à ilusão solenemente, como gado
Grete de Francesco, 1939
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DA CALÚNIA
O juiz Hossein El-Gabata, certo de que a audiência, naquela manhã, estava já terminada, fechou o livro da lei, ergueu os óculos que lhe pesavam sobre o nariz e levantou-se com o seu vagar costumeiro, ao preparar-se para deixar o tribunal.
-Doutor Juiz! - exclamou o acusador público, aproximando-se respeitosamente - a velha caluniadora, presa ontem, ainda não foi julgada e espera a vossa sentença.
Só então notou o velho magistrado que ainda aguardava julgamento um anciã esquecida, postada no fundo da sala. Sentou-se contrariado e, com um aceno de mão, ordenou que a última acusada se aproximasse da mesa.
- Estou inocente, ó venerável cádi ! ( juiz entre os muçulmanos ) - exclamou soluçando a mulher. - Não cometi crime algum. Sou vítima da inveja de meus inimigos!
- Doutor juiz - interveio tranquilo o promotor - essa mulher, segundo tive ocasião de verificar, é uma caluniadora terrível. Raro é o dia em que a sua imaginação maldosa não inventa uma nova torpeza com a qual fere e mutila a honra e o renome de uma pessoa digna. Ainda ontem assacou uma calúnia contra o nosso bom amigo, o xeque Nasil El-Hainé, que se acha, por esse fato, com a saúde fortemente abalada. Em benefício da tranquilidade deve ela sofrer castigo severo que, servindo-lhe de ensinamento, possa força-la a deixar para sempre, em paz, os homens de bem, fazendo-a compreender a enormidade do crime que pratica.
O judicioso Hossein El-Gabata, ao ouvir as palavras do acusador, meditou durante alguns instantes com o olhar fixo sobre o Livro de Alá. Que deveria fazer para arrancar do coração daquela mulher o germe do odiendo pecado? Como demonstrar a gravidade do mal que provém da calúnia?
Tomou, afinal, o magistrado, de um pedaço de papel e nele escreveu lentamente o nome honrado do xeque Nasil El-Hainé. Isso feito entregou o papel à acusada e disse-lhe:
- Aqui está escrito o nome da última pessoa vítima da tua língua peçonhenta. Rasga este papel em pedaços tão pequenos que cada um deles possa ser oculto debaixo de um grão de milho.
Surpreendida, embora, por aquela estranha ordem, a mulher obedeceu sem vacilação. O cádi e os auxiliares do tribunal viram-na algum tempo entregue à tarefa de estraçoar o papel que lhe fora entregue, reduzindo-o a pedacinhos extremamente pequenos.
-Irás agora - ordenou o juiz - até a última casa da cidade e deixarás cair, ao acaso, pelo caminho, esses pedacinhos de papel. feito isso voltarás novamente à minha presença a fim de que eu possa lavrar a sentença.
Algumas horas depois, a mulher apresentava-se ao velho magistrado, declarando que havia cumprido a ordem que lhe fora dada. Disse, então, o juiz em tom severo: - Volta novamente pelo mesmo caminho, apanha um por um todos os pedacinhos de papel e procura com eles formar o nome despedaçado. Se não conseguires isso, receberás cem chibatadas.
-Piedade, senhor cádi! - exclamou a mulher tomada de vivo desespero. - Por Alá! Ser-me-ia impossível achar pelas ruas, praças e estradas os pedacinhos que atirei fora, por isso que não cuidei de observar onde caíam quando me desfazia deles. E o vento já os levou com a areia; estarão já queimados ou perdidos para sempre.
-Mulher indigna ! - exclamou exaltado o juiz. - Implora agora piedade e outra coisa não fazes senão esfrangalhar, pela calúnia, a honra alheia e atirar-lhes os pedaços ao sabor da maledicência. O xeque Nasil tem um nome íntegro e tu, com falsas imputações, tenta destruí-lo. Assim como é imposs´´ivel reconstruir, com os pedacinhos de papel atirados ao acaso, o nome estracinhado, também não há poder humano que consiga desfazer a obra mutiladora da calúnia. - E, voltando-se para os guaradas e ajudantes ajuntou: - A minha sentença está dada! O caluniador não é digno de perdão. Assim determinou o Livro de Deus.
Conto do escritor já falecido Malba Tahan.
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INTERPRETAÇÃO
Quando a "mentira" vira intriga...o mundo entra em guerra. O texto é um conto muito bom e pode ser adaptado comparativamente ao dia-a-dia da vida pessoal, de uma comunidade, do cenário político, em um país e no mundo, pois carrega em si os fundamentos da intriga, e como é fácil fazer intriga.
Se pudermos perceber veremos todos os dias a intriga estampada na mídia, seja através das meias verdades, seja pelas sutilezas das declarações, as ironias e os sarcasmos, e, estes "valores" subliminarmente vão permeando as mentes e os corações das pessoas até que chega um momento em que a verdade já não mais importa, ninguém mais acredita e a intriga prevalece até mesmo como uma forma normal de se conviver.
Todo invejoso ataca às escondidas, quase sempre disfarçando suas agressões como 'lições de moral'. Não há muita coisa que o Invejado possa fazer para evitar invejoso; se todos tivessem o mesmo sucesso, a sociedade não funcionaria. Aceite, portanto, a inveja como uma insígnia de honra. Não seja ingênuo, preste atenção. Quando atacado por um perseguidor moralista, não se deixe convencer pela sua cruzada, o motivo é a inveja, pura e simples. No final é melhor aprender a suportar os ataques.
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A FÁBULA DA INTRIGA
Uma velha senhora foi para um safári na África e levou seu velho vira-lata com ela. Um dia, caçando borboletas, o velho cão, de repente, deu-se conta de que estava perdido. Vagando a esmo, procurando o caminho de volta, o velho cão percebe que um jovem leopardo o viu e caminha em sua direção, com intenção de conseguir um bom almoço .
O cachorro velho pensa:
-'Oh, oh! Estou mesmo enrascado ! Olhou à volta e viu ossos espalhados no chão por perto. Em vez de apavorar-se mais ainda, o velho cão ajeita-se junto ao osso mais próximo, e começa a roê-lo, dando as costas ao predador ... Quando o leopardo estava a ponto de dar o bote, o velho cachorro exclama bem alto: -Cara, este leopardo estava delicioso ! Será que há outros por aí ? Ouvindo isso, o jovem leopardo, com um arrepio de terror, suspende seu ataque, já quase começado, e se esgueira na direção das árvores.
-Caramba! pensa o leopardo, essa foi por pouco ! O velho vira-lata quase me pega!
Um macaco, numa árvore ali perto, viu toda a cena e logo imaginou como fazer bom uso do que vira: em troca de proteção para si, informaria ao predador que o vira-lata não havia comido leopardo algum.. . E assim foi, rápido, em direção ao leopardo. Mas o velho cachorro o vê correndo na direção do predador em grande velocidade, e pensa :
-Aí tem coisa!
O macaco logo alcança o felino, cochicha-lhe o que interessa e faz um acordo com o leopardo.O jovem leopardo fica furioso por ter sido feito de bobo, e diz: -'Aí, macaco! Suba nas minhas costas para você ver o que acontece com aquele cachorro abusado!' Agora, o velho cachorro vê um leopardo furioso, vindo em sua direção, com um macaco nas costas, e pensa: -E agora, o que é que eu posso fazer ? Mas, em vez de correr (sabe que suas pernas doloridas não o levariam longe...) o cachorro senta, mais uma vez dando costas aos agressores, e fazendo de conta que ainda não os viu, e quando estavam perto o bastante para ouvi-lo, o velho cão diz :
-'Cadê o filha da puta daquele macaco? Tô morrendo de fome! Ele disse que ia trazer outro leopardo para mim e não chega nunca! Imediatamente o leopardo se esquiva, sai para longe do cachorro e devora o macaco. Moral da história: A sabedoria se sobrepôs à juventude e a intriga. Sabedoria só vem com idade e experiência.
INTERPRETAÇÃO
Às vezes, a intriga se volta contra o próprio maledicente, entretanto, infelizmente, isso quase sempre ocorre em fábulas. A intriga é coisa muito destrutiva e perigosa e difícil de ser percebida e evitada porque tão ruim quanto o seu propagador maledicente é o ouvido de quem a ouve que também tem o interesse maléfico de a amplificar para o prejuízo alheio ! A maioria das pessoas são pequenas e precisam diminuir as outras para sentirem-se grandes.
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"O Dinheiro faz Homens Ricos; o conhecimento faz Homens Sábios e a Humildade faz Homens Grandes."
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O texto é um compilação de textos extraído de livro dos autores Robert Greene e Joost Elffers e de livro do autor Malba Tahan
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As massas nunca tiveram sede de verdade. Constantemente, elas querem ilusões e não vivem sem elas. Constantemente, elas dão ao irreal a precedência sobre o que é real; são quase tão intensamente influenciadas pela mentira como pelo que é verdade. Têm uma evidente tendência a não distinguir entre as duas
SIGMUND FREUD,
THE STANDARD EDITION OF THE COMPLETE PSYCHOLOGICAL WORKS OF SIGMUND FREUD,
VOLUME 18
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Devemos efetuar campanha de silêncio contra as chamadas fofocas, cultivando orações e pensamentos caridosos e otimistas em favor da paz. Planejar a infelicidade dos outros é cavar com as próprias mãos um abismo para si mesmo.
Palavras de Chico xavier
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O VAGALUME E A COBRA
A cobra vivia perseguindo o vagalume, querendo devorá-lo. Certo dia, cansado de fugir, o vagalume parou e perguntou à cobra: pertenço a sua cadeia alimentar? A cobra respondeu: Não. Eu te fiz algum mal? Não. Então por que você me persegue ? É que eu não suporto ver você brilhar.
MORAL
Continue fazendo o seu melhor, aconteça o que acontecer. Seja autêntico ainda que a sua luz perturbe os predadores. Lembre-se de que, em última análise, o que somos comunica com muito mais eloquência do que o que dizemos ou fazemos ou o que dizem a nosso respeito. Trata-se simplesmente da radiação constante do que a pessoa verdadeiramente é, e não do que ela finge ser. Tentar modificar as atitudes e os comportamentos exteriores não adianta a longo prazo porque estarão em desconexão com os paradigmas íntimos de quem os pratica a partir dos quais estas atitudes e estes comportamentos são gerados. Nunca modifique seus princípios por percalço algum.
A melhor forma de vingar-se de um invejoso é não se assemelhar a ele e não esconder o seu sucesso. Guarde a certeza pelas próprias dificuldades já superadas que não há mal que dure para sempre.

